Quando o homem tem a cabeça peculiarmente vazia, em geral, tem a presunção de ser um grande juiz, em especial, em relação à religião. Ninguém é tão sábio quanto o homem que não sabe nada. A ignorância é a mãe de sua impudência, e, a enfermeira de sua obstinação, aliás ele não distingui o joio do trigo, resolve os assuntos como se a sabedoria estivesse na palma de sua mão. O próprio papa não seria tão infalível. Ouça suas palavras depois de participar de uma reunião ou de ouvir um sermão, e você saberá como reduzir um homem de bem a frangalhos, se já não souber fazer isso. Ele vê imperfeições onde elas não existem; e se encontra qualquer coisa imperfeita faz tempestade em um copo d'água. Apesar de toda sua capacidade caber na casca de um ovo, ele pesa o sermão na balança da própria vaidade, com os ares de um bem nascido e criado Salomão. Se o sermão estiver acima do seu padrão, ele exagera nos elogios, mas se não for do seu gosto, ele resmunga, fala rispidamente e ladra como um cão diante de um porco espinho. Neste mundo, homens sábios são como árvores em um cercado, encontramos apenas um aqui, outro ali. Quando esses homens raros falam juntos sobre um discurso, ouvi-los faz bem aos ouvidos; mas os sabichões convencidos dos quais estou falando, ficam estufados de vaidade por causa de sua forma de pensar materialista, e suas palavras são tão sem sentido quanto o grasnar dos gansos no campo. Nada sai de um saco, a não ser o que estava dentro dele, e como a mala deles está vazia não tiram nada dela, a não ser vento. É muito natural que nem os pastores nem os sermões sejam perfeitos – o melhor dos jardins pode ter algumas ervas daninhas, o milho mais limpo pode ter alguma palha –, mas esses cavalheiros fazem críticas e encontram imperfeições em tudo e em nada, com o intuito de mostrar seu profundo conhecimento. Tão logo dão folga para suas línguas, começam a criticar que o capim não tem um tom de verde agradável ou que o céu ficaria mais nítido se fosse caiado.Um grupo de ismaelitas foi forjado por esses ambiciosos ignorantes, poderosos no conhecimento da doutrina contida em um sermão, nisso são incisivos como marretas e infalíveis como a morte. Quem não sabe nada, presume que sabe tudo; por isso, eles são de uma teimosia sem limites. Todos os relógios, até mesmo os solares, têm de ser acertados com os deles. A menor divergência com sua opinião faz com que o homem se sinta aniquilado até o fundo do coração. Aventure-se a argumentar com eles, e o ínfimo conhecimento dele extravasa rapidamente; perguntar a eles a razão de alguma coisa é a mesma coisa que procurar açúcar enterrado na areia. Eles engarrafaram o mar da verdade e o carregam nos bolsos de seus coletes; mediram a linha da graça divina e deram um nó no barbante no comprimento exato do amor dos eleitos de Deus. As coisas que os anjos custam a conhecer, eles já as conhecem todas, como as crianças que vêm coisas incomuns nos caleidoscópios. Tendo vendido sua modéstia e se tornado mais sábios que seus mestres, eles montam em um cavalo muito alto e passam por cima dos cinco portões trancados dos textos bíblicos, que ensinam doutrinas que contrariam suas idéias absurdas. Quando isso acontece a homens de bem, é muito triste ver esses potes de ungüento perfumado deteriorados pelas moscas, porém aprendemos a lidar com eles, assim como faço com a velha Violeta, uma égua excepcional, mas que, às vezes, põe as orelhas para trás e empaca. Mas há bastante arrogância nos que são apenas ferrão, sem mel; apenas chicote, sem feno; apenas grunhidos, sem bacon; nos que, da manhã à noite, não fazem nada além de injuriar, em todos que não agüentam ver seus espetáculos até o fim. Seria mais suportável se eles, ao menos, misturassem um pouco de bem viver a todo esse orgulho, mas não, eles não se preocupam com essa verdade. Não se pode esperar que homens tão perfeitos como eles sejam bons em alguma outra coisa; eles são os cães de guarda divinos que protegem a casa de Deus contra os ladrões e assaltantes que não pregam doutrina sadia; e se eles fossem causa de aflição para as ovelhas ou furtassem um ou dois coelhos às escondidas, quem os culparia? O povo querido de Deus, como eles mesmos se intitulam, já tem de fazer muito para manter sua doutrina audível; e quem se preocupa se os métodos não são perfeitos! Ninguém pode cuidar de tudo ao mesmo tempo. Eles são as toupeiras que buscam caça em nossos pastos, não para si mesmos, pois não há nada aproveitável lá para eles, mas sim para os prados que corrompem. Eu não encontraria nem mesmo a metade de um erro na doutrina deles, se não fosse direcionada para os seus espíritos; mas, se comparados a ela, o vinagre é doce, e os lobos parecem ovelhas. É uma doutrina tão elevada que está muito acima de minha capacidade, porém, preciso ter muita experiência e muita prática ao lidar com ela ou embrulhará meu estômago. Por outro lado, eu disse o que tinha para dizer, preciso abandonar o assunto, ou alguém perguntará o que tenho que ver com o moinho de vento de Dom Quixote?Às vezes, repreendem o pregador por seu modo de falar. Mais uma vez, esse é um campo fácil de se encontrar imperfeições, pois todo monte de feijão sempre tem um escuro, e todo homem tem suas falhas. Nunca conheci um bom cavalo que não tivesse algum hábito estranho ou outro defeito, e nunca vi um pastor de mérito não usar algum artifício ou singularidade, assim, esses são os bocados de queijo que os mistificadores descobriram e censuram, esse homem é muito vagaroso, e o outro, muito rápido; o primeiro é muito poético, e o segundo, muito maçante. Seria uma tristeza, se todas as criaturas de Deus fossem julgadas desse jeito, nós precisaríamos apertar o pescoço da pomba para domesticá-la; atirar nos tordos por comerem aranhas; matar as vacas por balançarem as caudas; e as galinhas por não nos fornecerem leite. Quando um homem tirar um obstáculo, ele logo consegue um pedaço de madeira; da mesma forma, qualquer tolo tem algo a dizer contra o melhor pastor da Inglaterra. Do mesmo modo, se a forma de pregar é constituída apenas de palavras simples e séria, ninguém pode fazer objeção a ela – por lhe faltar polimento se o conteúdo é bom –, ela não pode soar imprópria. Ninguém deveria usar linguagem prolixa no púlpito – e pode-se considerar toda linguagem negativa se as pessoas simples não conseguem entendê-la, mas as palavras religiosas, sóbrias, decentes e simples ninguém pode criticar. O homem do campo fica tão aquecido com chita, quanto um rei com veludo, e uma verdade é tão confortadora em palavras simples quanto em um discurso refinado. Cada um no seu lugar; quando estão com fome, os homens deixam a cozinheira preparar a carne, pois ela a deixa mais tenra e substanciosa. Se os ouvintes fossem melhores, os sermões também seriam. Quando os homens dizem que não podem ouvir, eu recomendo que comprem um captador de som e lembrem do velho ditado: "O pior surdo é quem não quer ouvir".Quando jovens pregadores ficam desanimados, devido às observações duras e indelicadas, em geral, conto-lhes a história do velho, do menino e do burro e o que aconteceu com a tentativa de agradar a todos. Nenhum tocador de flauta jamais conseguiu agradar a todos os ouvintes. Quando se põe o capricho e a fantasia no lugar do julgamento, a opinião de um homem não passa de vento, por isso, ninguém se preocupa com isso mais que com o vento que assobia pelo buraco da fechadura.Já ouvi falar de pessoas que conseguiram encontrar erros em coisas que nem faziam parte do discurso. Não importa quão bem se trouxe o assunto à tona, havia outro assunto sobre o qual nada foi dito e, portanto, tudo estava errado. Isso é tão justo quanto encontrar defeito em meu arado porque não cava buracos para os feijões ou estragar um bom campo de milho porque não há nabos nele. Quem procura por cada uma das verdades de um sermão? Da mesma forma, vocês poderiam reclamar de um prato com um pedaço de carne porque não tem bacon, ou vitela, ou ervilhas verdes. Suponhamos que um sermão não conforte completamente os mais religiosos; mas, se por outro lado, ele advertir os pecadores, será que devemos desprezá-lo? Um serrote não seria uma ferramenta adequada para alguém se barbear; mas só por isso devemos jogá-lo fora? Qual a utilidade de se tentar constantemente descobrir imperfeições? Detesto ver um homem que tem sensibilidade para perceber as coisas passíveis de queixa, como um cão que caça ratos farejando suas tocas. De qualquer maneira, desbastemos o erro, as raízes e os galhos, mas conservemos nossas tesouras de podar enquanto houver arbustos espinhosos a desbastar e não caiamos na desventura da piedade por nós mesmos. Julgar pregadores não é um negócio rendoso, pois não vale a pena. Ao julgar o sermão, eles dão o prêmio para o melhor entre nós; mas esses juizes de pregadores são muito lentos para dar alguma coisa, mesmo para aqueles em quem confessam pensar muito. Eles pagam com elogios, mas não dão o prêmio. Eles usam o evangelho para qualquer coisa e acham que fizeram um grande favor quando o reverenciam, e não o censuram.Todos se consideram bons juízes de sermões, mas nove entre dez deles têm a pretensão de poder pesar a lua. Pensando bem, creio que a maioria das pessoas pensa que pregar é uma coisa extremamente fácil e que poderia fazer isso maravilhosamente bem. Todo estúpido se acha útil para cuidar dos cavalos do rei; toda menina pensa que poderia cuidar da casa melhor que sua mãe. Mas pensamentos não são fatos; o pescador sabia mais do que a sardinha que pensava ser um arenque. Eu ouso dizer essas coisas, os que assobiam imaginam que podem arar, mas há mais que um assobio em um bom lavrador. E deixem que eu diga, há mais em uma boa pregação do que pegar um texto e dizer: em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar. Eu mesmo tento pregar, e em meu humilde modo de pensar, não acho nada fácil dizer ao povo alguma coisa que valha a pena ser ouvida. Se a fila de críticos, que nos conta nos dedos, também tentasse pregar, com certeza, ficariam mais calados. Os cães, entretanto, latem sempre e o pior é que também mordem; mas deixem que as pessoas decentes façam tudo o que podem ou amordace-as para evitar, desde já, que causem muito dano. É terrível ver uma família feliz de cristãos dissolvida por faladores, descobridores de imperfeições, e tudo por nada, menos que nada. A extremidade da cunha é pequena, mas quando o diabo manipula o macete, as igrejas se separam em grupos, e os homens se perguntam por que isso ocorreu. O fato é que a roda defeituosa da carroça chia mais, e um tolo transforma muitos em tolos, assim como a maioria das congregações teria vantagem com um pastor fiel, que poderia ser sua última benção, se não tivesse afugentado seu melhor amigo. Em geral, os que estão voltados para a injúria não participam realmente da verdadeira religiosidade; mas são como os pardais que lutam pelo milho alheio, e como as gralhas despedaçam aquilo que nunca ajudaram a construir. Que possamos nos livrar dos cachorros loucos e dos professores mistificadores e que não tenhamos de suportar a queixa de nenhum deles. Encontrar imperfeições é terrivelmente contagioso, um cão contagia todo o canil quando uiva, o procedimento mais sábio é manter fora do caminho quem tem a doença da mistificação. O pior disso é que as doenças dos pés e da cabeça caminham juntas, e aquele que calunia os outros, rola na lama bem antes dos que ele calunia. "O fruto do Espírito é amor", essa é uma maçã muito diferente da azeda maçã siberiana que algumas pessoas trazem para cá. Adeus a todos vocês filhos queixosos, seria mais fácil João Lavrador roer um osso em paz que lutar por um boi assado.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
QUEM NÃO SABE NADA, ACHA QUE SABE TUDO - C H SPURGEON
Quando o homem tem a cabeça peculiarmente vazia, em geral, tem a presunção de ser um grande juiz, em especial, em relação à religião. Ninguém é tão sábio quanto o homem que não sabe nada. A ignorância é a mãe de sua impudência, e, a enfermeira de sua obstinação, aliás ele não distingui o joio do trigo, resolve os assuntos como se a sabedoria estivesse na palma de sua mão. O próprio papa não seria tão infalível. Ouça suas palavras depois de participar de uma reunião ou de ouvir um sermão, e você saberá como reduzir um homem de bem a frangalhos, se já não souber fazer isso. Ele vê imperfeições onde elas não existem; e se encontra qualquer coisa imperfeita faz tempestade em um copo d'água. Apesar de toda sua capacidade caber na casca de um ovo, ele pesa o sermão na balança da própria vaidade, com os ares de um bem nascido e criado Salomão. Se o sermão estiver acima do seu padrão, ele exagera nos elogios, mas se não for do seu gosto, ele resmunga, fala rispidamente e ladra como um cão diante de um porco espinho. Neste mundo, homens sábios são como árvores em um cercado, encontramos apenas um aqui, outro ali. Quando esses homens raros falam juntos sobre um discurso, ouvi-los faz bem aos ouvidos; mas os sabichões convencidos dos quais estou falando, ficam estufados de vaidade por causa de sua forma de pensar materialista, e suas palavras são tão sem sentido quanto o grasnar dos gansos no campo. Nada sai de um saco, a não ser o que estava dentro dele, e como a mala deles está vazia não tiram nada dela, a não ser vento. É muito natural que nem os pastores nem os sermões sejam perfeitos – o melhor dos jardins pode ter algumas ervas daninhas, o milho mais limpo pode ter alguma palha –, mas esses cavalheiros fazem críticas e encontram imperfeições em tudo e em nada, com o intuito de mostrar seu profundo conhecimento. Tão logo dão folga para suas línguas, começam a criticar que o capim não tem um tom de verde agradável ou que o céu ficaria mais nítido se fosse caiado.Um grupo de ismaelitas foi forjado por esses ambiciosos ignorantes, poderosos no conhecimento da doutrina contida em um sermão, nisso são incisivos como marretas e infalíveis como a morte. Quem não sabe nada, presume que sabe tudo; por isso, eles são de uma teimosia sem limites. Todos os relógios, até mesmo os solares, têm de ser acertados com os deles. A menor divergência com sua opinião faz com que o homem se sinta aniquilado até o fundo do coração. Aventure-se a argumentar com eles, e o ínfimo conhecimento dele extravasa rapidamente; perguntar a eles a razão de alguma coisa é a mesma coisa que procurar açúcar enterrado na areia. Eles engarrafaram o mar da verdade e o carregam nos bolsos de seus coletes; mediram a linha da graça divina e deram um nó no barbante no comprimento exato do amor dos eleitos de Deus. As coisas que os anjos custam a conhecer, eles já as conhecem todas, como as crianças que vêm coisas incomuns nos caleidoscópios. Tendo vendido sua modéstia e se tornado mais sábios que seus mestres, eles montam em um cavalo muito alto e passam por cima dos cinco portões trancados dos textos bíblicos, que ensinam doutrinas que contrariam suas idéias absurdas. Quando isso acontece a homens de bem, é muito triste ver esses potes de ungüento perfumado deteriorados pelas moscas, porém aprendemos a lidar com eles, assim como faço com a velha Violeta, uma égua excepcional, mas que, às vezes, põe as orelhas para trás e empaca. Mas há bastante arrogância nos que são apenas ferrão, sem mel; apenas chicote, sem feno; apenas grunhidos, sem bacon; nos que, da manhã à noite, não fazem nada além de injuriar, em todos que não agüentam ver seus espetáculos até o fim. Seria mais suportável se eles, ao menos, misturassem um pouco de bem viver a todo esse orgulho, mas não, eles não se preocupam com essa verdade. Não se pode esperar que homens tão perfeitos como eles sejam bons em alguma outra coisa; eles são os cães de guarda divinos que protegem a casa de Deus contra os ladrões e assaltantes que não pregam doutrina sadia; e se eles fossem causa de aflição para as ovelhas ou furtassem um ou dois coelhos às escondidas, quem os culparia? O povo querido de Deus, como eles mesmos se intitulam, já tem de fazer muito para manter sua doutrina audível; e quem se preocupa se os métodos não são perfeitos! Ninguém pode cuidar de tudo ao mesmo tempo. Eles são as toupeiras que buscam caça em nossos pastos, não para si mesmos, pois não há nada aproveitável lá para eles, mas sim para os prados que corrompem. Eu não encontraria nem mesmo a metade de um erro na doutrina deles, se não fosse direcionada para os seus espíritos; mas, se comparados a ela, o vinagre é doce, e os lobos parecem ovelhas. É uma doutrina tão elevada que está muito acima de minha capacidade, porém, preciso ter muita experiência e muita prática ao lidar com ela ou embrulhará meu estômago. Por outro lado, eu disse o que tinha para dizer, preciso abandonar o assunto, ou alguém perguntará o que tenho que ver com o moinho de vento de Dom Quixote?Às vezes, repreendem o pregador por seu modo de falar. Mais uma vez, esse é um campo fácil de se encontrar imperfeições, pois todo monte de feijão sempre tem um escuro, e todo homem tem suas falhas. Nunca conheci um bom cavalo que não tivesse algum hábito estranho ou outro defeito, e nunca vi um pastor de mérito não usar algum artifício ou singularidade, assim, esses são os bocados de queijo que os mistificadores descobriram e censuram, esse homem é muito vagaroso, e o outro, muito rápido; o primeiro é muito poético, e o segundo, muito maçante. Seria uma tristeza, se todas as criaturas de Deus fossem julgadas desse jeito, nós precisaríamos apertar o pescoço da pomba para domesticá-la; atirar nos tordos por comerem aranhas; matar as vacas por balançarem as caudas; e as galinhas por não nos fornecerem leite. Quando um homem tirar um obstáculo, ele logo consegue um pedaço de madeira; da mesma forma, qualquer tolo tem algo a dizer contra o melhor pastor da Inglaterra. Do mesmo modo, se a forma de pregar é constituída apenas de palavras simples e séria, ninguém pode fazer objeção a ela – por lhe faltar polimento se o conteúdo é bom –, ela não pode soar imprópria. Ninguém deveria usar linguagem prolixa no púlpito – e pode-se considerar toda linguagem negativa se as pessoas simples não conseguem entendê-la, mas as palavras religiosas, sóbrias, decentes e simples ninguém pode criticar. O homem do campo fica tão aquecido com chita, quanto um rei com veludo, e uma verdade é tão confortadora em palavras simples quanto em um discurso refinado. Cada um no seu lugar; quando estão com fome, os homens deixam a cozinheira preparar a carne, pois ela a deixa mais tenra e substanciosa. Se os ouvintes fossem melhores, os sermões também seriam. Quando os homens dizem que não podem ouvir, eu recomendo que comprem um captador de som e lembrem do velho ditado: "O pior surdo é quem não quer ouvir".Quando jovens pregadores ficam desanimados, devido às observações duras e indelicadas, em geral, conto-lhes a história do velho, do menino e do burro e o que aconteceu com a tentativa de agradar a todos. Nenhum tocador de flauta jamais conseguiu agradar a todos os ouvintes. Quando se põe o capricho e a fantasia no lugar do julgamento, a opinião de um homem não passa de vento, por isso, ninguém se preocupa com isso mais que com o vento que assobia pelo buraco da fechadura.Já ouvi falar de pessoas que conseguiram encontrar erros em coisas que nem faziam parte do discurso. Não importa quão bem se trouxe o assunto à tona, havia outro assunto sobre o qual nada foi dito e, portanto, tudo estava errado. Isso é tão justo quanto encontrar defeito em meu arado porque não cava buracos para os feijões ou estragar um bom campo de milho porque não há nabos nele. Quem procura por cada uma das verdades de um sermão? Da mesma forma, vocês poderiam reclamar de um prato com um pedaço de carne porque não tem bacon, ou vitela, ou ervilhas verdes. Suponhamos que um sermão não conforte completamente os mais religiosos; mas, se por outro lado, ele advertir os pecadores, será que devemos desprezá-lo? Um serrote não seria uma ferramenta adequada para alguém se barbear; mas só por isso devemos jogá-lo fora? Qual a utilidade de se tentar constantemente descobrir imperfeições? Detesto ver um homem que tem sensibilidade para perceber as coisas passíveis de queixa, como um cão que caça ratos farejando suas tocas. De qualquer maneira, desbastemos o erro, as raízes e os galhos, mas conservemos nossas tesouras de podar enquanto houver arbustos espinhosos a desbastar e não caiamos na desventura da piedade por nós mesmos. Julgar pregadores não é um negócio rendoso, pois não vale a pena. Ao julgar o sermão, eles dão o prêmio para o melhor entre nós; mas esses juizes de pregadores são muito lentos para dar alguma coisa, mesmo para aqueles em quem confessam pensar muito. Eles pagam com elogios, mas não dão o prêmio. Eles usam o evangelho para qualquer coisa e acham que fizeram um grande favor quando o reverenciam, e não o censuram.Todos se consideram bons juízes de sermões, mas nove entre dez deles têm a pretensão de poder pesar a lua. Pensando bem, creio que a maioria das pessoas pensa que pregar é uma coisa extremamente fácil e que poderia fazer isso maravilhosamente bem. Todo estúpido se acha útil para cuidar dos cavalos do rei; toda menina pensa que poderia cuidar da casa melhor que sua mãe. Mas pensamentos não são fatos; o pescador sabia mais do que a sardinha que pensava ser um arenque. Eu ouso dizer essas coisas, os que assobiam imaginam que podem arar, mas há mais que um assobio em um bom lavrador. E deixem que eu diga, há mais em uma boa pregação do que pegar um texto e dizer: em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar. Eu mesmo tento pregar, e em meu humilde modo de pensar, não acho nada fácil dizer ao povo alguma coisa que valha a pena ser ouvida. Se a fila de críticos, que nos conta nos dedos, também tentasse pregar, com certeza, ficariam mais calados. Os cães, entretanto, latem sempre e o pior é que também mordem; mas deixem que as pessoas decentes façam tudo o que podem ou amordace-as para evitar, desde já, que causem muito dano. É terrível ver uma família feliz de cristãos dissolvida por faladores, descobridores de imperfeições, e tudo por nada, menos que nada. A extremidade da cunha é pequena, mas quando o diabo manipula o macete, as igrejas se separam em grupos, e os homens se perguntam por que isso ocorreu. O fato é que a roda defeituosa da carroça chia mais, e um tolo transforma muitos em tolos, assim como a maioria das congregações teria vantagem com um pastor fiel, que poderia ser sua última benção, se não tivesse afugentado seu melhor amigo. Em geral, os que estão voltados para a injúria não participam realmente da verdadeira religiosidade; mas são como os pardais que lutam pelo milho alheio, e como as gralhas despedaçam aquilo que nunca ajudaram a construir. Que possamos nos livrar dos cachorros loucos e dos professores mistificadores e que não tenhamos de suportar a queixa de nenhum deles. Encontrar imperfeições é terrivelmente contagioso, um cão contagia todo o canil quando uiva, o procedimento mais sábio é manter fora do caminho quem tem a doença da mistificação. O pior disso é que as doenças dos pés e da cabeça caminham juntas, e aquele que calunia os outros, rola na lama bem antes dos que ele calunia. "O fruto do Espírito é amor", essa é uma maçã muito diferente da azeda maçã siberiana que algumas pessoas trazem para cá. Adeus a todos vocês filhos queixosos, seria mais fácil João Lavrador roer um osso em paz que lutar por um boi assado.
ESPERANÇA - C H SPURGEON

Ovos são ovos, mas alguns apodrecem; da mesma forma esperanças são esperanças, mas muitas delas transformam-se em desilusões. As esperanças são como as mulheres, há um toque de anjo nelas, mas há duas espécies delas. Meu garoto Tom furou um monte de ovos de passarinho, enfiando-os em um fio; eu tenho feito a mesma coisa com as esperanças, eis algumas delas – boas, más e indiferentes.
A esperança do homem otimista aparece inesperadamente, como uma caixa de surpresas; ela funciona como um verão e não é guiada pela razão. Em qualquer momento que olha pela janela, ele vê tempos melhores chegando; apesar de quase tudo estar em seu modo de ver, e em nenhum outro lugar, ver pudim de farinha com passas na lua é um hábito bem mais feliz que resmungar de tudo como um sapo de duas pernas. Esse é o tipo de amigo para se ter por perto em uma noite negra como piche e em que chove muito, pois ele leva velas nos olhos e uma lareira no coração. Tome cuidado para não ser desencaminhado por ele e, assim, você pode manter sua companhia com segurança. O erro dele é contar com os ovos antes de ter a galinha e vender seus arenques antes que estejam na rede. Todos seus ovos de pardais estão reservados a se transformarem, pelo menos, em tordos, talvez em perdizes ou faisões. O verão chegou em sua plenitude, porque ele viu uma andorinha. Ele está certo de ficar rico com sua nova loja, pois cinco minutos antes de abrir a porta, dois vizinhos se aproximaram, um deles querendo um pão fiado, e o outro, trocar dinheiro. Ele está certo de que o fazendeiro está disposto a lhe dar suas encomendas, pois ele o viu lendo o nome da loja acima da porta enquanto passava em frente. Ele não acredita em erros entre xícaras e lábios, mas deduz certezas do talvez. Bem, é uma alma boa apesar de, às vezes, ser um pouco estúpido, há muito nele para ser louvado e gosto de pensar em um de seus curiosos ditos: "Nunca fale em morrer até estar morto porque aí não adianta mais, portanto deixe isso para lá." Como você vê, há outras pessoas curiosas no mundo, além do João Lavrador.
Meu vizinho desajeitado está esperando que sua tia morra, mas a velha senhora tem tantas vidas como nove gatos. Minha opinião é que quando ela morrer, deixará o pouco de dinheiro que tem para um hospital de gatos ou para cães abandonados, em vez de deixá-lo para seu sobrinho Joãozinho. Pobre criatura, ele está terrivelmente desesperado e desconta tudo no temperamento irritante da pobre senhora. Contudo, ele espera e fica cada vez pior, pois enquanto a grama cresce, o cavalo morre de fome. Quem espera a morte de alguém é como se segurasse uma corda longa, quem corre atrás de heranças precisa ter sapatos de ferro. Quem espera os sapatos dos que morrem pode ficar por muito tempo descalço; quem espera pela vaca do tio, não pode se apressar para passar manteiga no pão. Quem vive de esperança tem uma dieta magra. Se o Joãozinho desajeitado não tivesse uma tia, ele teria arregaçado as mangas da camisa e trabalhado para si mesmo; mas disseram-lhe que nasceu em berço de ouro, e isso transformou-o em um inútil.Se alguém quiser deixar uma herança para o João Lavrador, ele ficará muito agradecido, mas seria melhor que não contar a ele sobre isso, pois tem medo de deixar de arar um sulco tão bem feito; seria duas vezes melhor receber uma herança de surpresa. Na verdade, seria melhor deixar a herança para o Colégio do Pastor ou para o Orfanato Stockwell, pois nos dois casos seria muito bem usada. Agora, precisamos voltar ao nosso tema.
Eu gostaria que as pessoas pensassem menos...O
A esperança do homem otimista aparece inesperadamente, como uma caixa de surpresas; ela funciona como um verão e não é guiada pela razão. Em qualquer momento que olha pela janela, ele vê tempos melhores chegando; apesar de quase tudo estar em seu modo de ver, e em nenhum outro lugar, ver pudim de farinha com passas na lua é um hábito bem mais feliz que resmungar de tudo como um sapo de duas pernas. Esse é o tipo de amigo para se ter por perto em uma noite negra como piche e em que chove muito, pois ele leva velas nos olhos e uma lareira no coração. Tome cuidado para não ser desencaminhado por ele e, assim, você pode manter sua companhia com segurança. O erro dele é contar com os ovos antes de ter a galinha e vender seus arenques antes que estejam na rede. Todos seus ovos de pardais estão reservados a se transformarem, pelo menos, em tordos, talvez em perdizes ou faisões. O verão chegou em sua plenitude, porque ele viu uma andorinha. Ele está certo de ficar rico com sua nova loja, pois cinco minutos antes de abrir a porta, dois vizinhos se aproximaram, um deles querendo um pão fiado, e o outro, trocar dinheiro. Ele está certo de que o fazendeiro está disposto a lhe dar suas encomendas, pois ele o viu lendo o nome da loja acima da porta enquanto passava em frente. Ele não acredita em erros entre xícaras e lábios, mas deduz certezas do talvez. Bem, é uma alma boa apesar de, às vezes, ser um pouco estúpido, há muito nele para ser louvado e gosto de pensar em um de seus curiosos ditos: "Nunca fale em morrer até estar morto porque aí não adianta mais, portanto deixe isso para lá." Como você vê, há outras pessoas curiosas no mundo, além do João Lavrador.
Meu vizinho desajeitado está esperando que sua tia morra, mas a velha senhora tem tantas vidas como nove gatos. Minha opinião é que quando ela morrer, deixará o pouco de dinheiro que tem para um hospital de gatos ou para cães abandonados, em vez de deixá-lo para seu sobrinho Joãozinho. Pobre criatura, ele está terrivelmente desesperado e desconta tudo no temperamento irritante da pobre senhora. Contudo, ele espera e fica cada vez pior, pois enquanto a grama cresce, o cavalo morre de fome. Quem espera a morte de alguém é como se segurasse uma corda longa, quem corre atrás de heranças precisa ter sapatos de ferro. Quem espera os sapatos dos que morrem pode ficar por muito tempo descalço; quem espera pela vaca do tio, não pode se apressar para passar manteiga no pão. Quem vive de esperança tem uma dieta magra. Se o Joãozinho desajeitado não tivesse uma tia, ele teria arregaçado as mangas da camisa e trabalhado para si mesmo; mas disseram-lhe que nasceu em berço de ouro, e isso transformou-o em um inútil.Se alguém quiser deixar uma herança para o João Lavrador, ele ficará muito agradecido, mas seria melhor que não contar a ele sobre isso, pois tem medo de deixar de arar um sulco tão bem feito; seria duas vezes melhor receber uma herança de surpresa. Na verdade, seria melhor deixar a herança para o Colégio do Pastor ou para o Orfanato Stockwell, pois nos dois casos seria muito bem usada. Agora, precisamos voltar ao nosso tema.
Eu gostaria que as pessoas pensassem menos...O
COMPREENDA O QUE VC ESTÁ LENDO - C H SPURGEON
Os escribas e fariseus, líderes religiosos do tempo de Jesus, liam bastante a Lei. Estudavam continuamente os livros sagrados, meditando sobre cada palavra e letra. Faziam anotações de assuntos de importância mínima, tais como: qual o versículo que ficava exatamente no meio do Antigo Testamento, que versículo estava na metade do meio, e quantas vezes aparecia determinada palavra, e até mesmo quantas vezes aparecia determinada letra, qual o tamanho da letra, e qual a sua posição específica. Eles nos legaram um acúmulo de anotações sobre as palavras das Sagradas Escrituras. Poderiam ter feito a mesma coisa com qualquer outro livro, e as informações teriam sido tão sem importância quanto os fatos que tão laboriosamente colecionaram, no tocante à letra do Antigo Testamento.
Eles eram, no entanto, assíduos leitores da Lei. Arrazoavam com o Salvador sobre uma questão concernente à Lei, porque a levavam na ponta da língua, e estavam dispostos a usá-la como uma ave de rapina usa as garras para rasgar e romper. Os discípulos de nosso Senhor tinham colhido algumas espigas de trigo e as esfregavam entre as mãos. Segundo a tradição farisaica, esfregar uma espiga de trigo é uma forma de debulhar e, sendo muito errado debulhar no sábado, forçosamente deveria ser muito errado esfregar nas mãos algumas espigas de trigo, mesmo quando se estivesse com fome, num sábado de manhã. Assim argumentavam, e levaram esse argumento para o Salvador, juntamente com a versão que tinham a respeito da lei do sábado. O Salvador geralmente guerreava no campo em que o inimigo o atacava, e nessa ocasião também agiu assim. Enfrentou-os no próprio campo deles, e lhes disse: "Não lestes?" — uma pergunta muito incisiva para os escribas e fariseus, embora não aparentasse ser cortante. Foi uma pergunta muito razoável e apropriada para fazer-lhes; mas pense só em fazer essa pergunta a eles! "Não lestes?" "Ler!" poderiam ter respondido, "ora, lemos o livro inteiro muitíssimas vezes. Sempre o lemos. Nenhum texto escapa ao nosso olhar crítico". Mesmo assim, o Senhor passou a postular a pergunta pela segunda vez: "Não lestes?", como se nada tivessem lido na realidade, apesar de serem os maiores leitores da Lei naquela época. Deu a entender que eles não tinham lido mesmo, e ainda lhes deixou saber por que Ele lhes perguntara se tinham lido. Disse: "Mas, se vós soubésseis o que significa:...", sugerindo o seguinte: "Vocês não leram, porque não compreenderam. Seus olhos passaram por cima das palavras, vocês contaram as letras, marcaram a posição de cada versículo e palavra, e têm dito coisas eruditas a respeito de todos os livros; apesar disso, vocês nem sequer são leitores do volume sagrado, pois não adquiriram a verdadeira arte da leitura; não compreendem e, portanto, não o lêem na realidade. Vocês fazem uma leitura superficial da Palavra, mediante breves olhadelas; não a leram, porque não a compreenderam". Esse é o primeiro tópico desta mensagem.
Não deve ser necessário introduzir estas considerações com uma declaração da necessidade de ler as Escrituras. Você sabe quão necessário é alimentar-nos da verdade revelada nas Escrituras Sagradas. Preciso perguntar se você lê a Bíblia, ou não? Lastimo que a presente época é de leitura de revistas — uma época da leitura de jornais — uma época de ler publicações periódicas, mas não tanto uma época de leitura bíblica quanto deveria ser. Nos tempos antigos, as pessoas tinham poucos suprimentos de outra literatura, mas achavam uma biblioteca suficiente naquele único Livro, a Bíblia. E como liam a Bíblia!...
Eles eram, no entanto, assíduos leitores da Lei. Arrazoavam com o Salvador sobre uma questão concernente à Lei, porque a levavam na ponta da língua, e estavam dispostos a usá-la como uma ave de rapina usa as garras para rasgar e romper. Os discípulos de nosso Senhor tinham colhido algumas espigas de trigo e as esfregavam entre as mãos. Segundo a tradição farisaica, esfregar uma espiga de trigo é uma forma de debulhar e, sendo muito errado debulhar no sábado, forçosamente deveria ser muito errado esfregar nas mãos algumas espigas de trigo, mesmo quando se estivesse com fome, num sábado de manhã. Assim argumentavam, e levaram esse argumento para o Salvador, juntamente com a versão que tinham a respeito da lei do sábado. O Salvador geralmente guerreava no campo em que o inimigo o atacava, e nessa ocasião também agiu assim. Enfrentou-os no próprio campo deles, e lhes disse: "Não lestes?" — uma pergunta muito incisiva para os escribas e fariseus, embora não aparentasse ser cortante. Foi uma pergunta muito razoável e apropriada para fazer-lhes; mas pense só em fazer essa pergunta a eles! "Não lestes?" "Ler!" poderiam ter respondido, "ora, lemos o livro inteiro muitíssimas vezes. Sempre o lemos. Nenhum texto escapa ao nosso olhar crítico". Mesmo assim, o Senhor passou a postular a pergunta pela segunda vez: "Não lestes?", como se nada tivessem lido na realidade, apesar de serem os maiores leitores da Lei naquela época. Deu a entender que eles não tinham lido mesmo, e ainda lhes deixou saber por que Ele lhes perguntara se tinham lido. Disse: "Mas, se vós soubésseis o que significa:...", sugerindo o seguinte: "Vocês não leram, porque não compreenderam. Seus olhos passaram por cima das palavras, vocês contaram as letras, marcaram a posição de cada versículo e palavra, e têm dito coisas eruditas a respeito de todos os livros; apesar disso, vocês nem sequer são leitores do volume sagrado, pois não adquiriram a verdadeira arte da leitura; não compreendem e, portanto, não o lêem na realidade. Vocês fazem uma leitura superficial da Palavra, mediante breves olhadelas; não a leram, porque não a compreenderam". Esse é o primeiro tópico desta mensagem.
Não deve ser necessário introduzir estas considerações com uma declaração da necessidade de ler as Escrituras. Você sabe quão necessário é alimentar-nos da verdade revelada nas Escrituras Sagradas. Preciso perguntar se você lê a Bíblia, ou não? Lastimo que a presente época é de leitura de revistas — uma época da leitura de jornais — uma época de ler publicações periódicas, mas não tanto uma época de leitura bíblica quanto deveria ser. Nos tempos antigos, as pessoas tinham poucos suprimentos de outra literatura, mas achavam uma biblioteca suficiente naquele único Livro, a Bíblia. E como liam a Bíblia!...
IMPERFEIÇÕES - C H SPURGEON
O que se gaba de ser perfeito, só é perfeito na tolice. Eu estou há um bom tempo pelo mundo, e nunca vi um cavalo perfeito nem um homem perfeito e nunca verei até que dois domingos venham juntos. Você não pode obter farinha de trigo de um saco de carvão nem, perfeição da natureza humana; o que procura isso faria melhor procurando açúcar no mar. O antigo ditado diz: "Onde não há vida, não há imperfeição". Sobre homens mortos não deveríamos dizer nada a não ser o bem; mas todos os vivos têm mais ou menos os mesmos defeitos, e podemos ver isso com apenas um olho. Toda cabeça tem um pouco de miolo mole, e todo coração tem uma partezinha negra. Toda rosa tem seus espinhos, e cada dia, sua noite. Até mesmo o sol tem manchas, e as nuvens escurecem os céus. Ninguém é tão sábio nem tolo o bastante para guardar um lugar especial na Feira da Vaidade. Posso não ver o boné de bobo, contudo escuto o retinir dos sininhos. Como não há luz solar sem algumas nuvens, assim também todos os seres humanos têm uma boa mistura de maldade, uns mais, outros menos. Mesmo os pobres protetores da lei têm seus pequenos deslizes, e os cristãos das igrejas não têm natureza totalmente celestial. O melhor vinho tem resíduos. Todas as imperfeições humanas não estão escritas na testa, e é tão certo que elas não estão ou os chapéus precisariam ter abas muito largas. Contudo, tão certo como ovos são ovos, as imperfeições de algum modo se aninham em cada peito. Não há o que dizer quando os pecados de um homem ficam aparentes, pois as lebres saem do fosso justamente quando você não procura por elas. Um cavalo com as pernas fracas pode não tropeçar por um ou dois quilômetros, mas ele tem a fraqueza e é melhor o cavaleiro segurá-lo bem. A gata listrada não está bebendo leite agora, mas deixe a porta da leiteria aberta e veremos se ela não é tão ladra quanto os gatinhos. Há calor no minério aparentemente frio, espere até o que o aço dê uma pancada nele, e você verá. Todos conhecem os fatos, mas nem todos lembram de manter a pólvora longe da vela.Se lembrássemos sempre que vivemos entre homens imperfeitos, não sentiríamos essa perturbação quando descobrimos as falhas de nossos amigos. O que está podre despedaça-se, e os potes rachados vazam. Abençoado é aquele não espera nada da carne e do sangue, pois não se desaponta. O melhor dos homens são homens em seu melhor, no entanto, até mesmo a melhor cera derrete.
O bom cavalo é o que nunca tropeça A boa esposa é a que nunca resmunga.
Sem dúvida, encontramos tais cavalos e esposas apenas no paraíso dos loucos em que crescem bolinhos em árvores. Neste mundo pernicioso, a tora mais reta tem nós, e o campo de trigo mais limpo tem sua cota de ervas daninhas. O motorista mais cuidadoso, um dia, bate o carro; o cozinheiro mais talentoso derrama um pouco de caldo; e para minha tristeza sei que um lavrador muito decente, às vezes, quebra o arado e faz um sulco torto.. É tolice se afastar de um amigo leviano por causa de um ou dois deslizes, pois você pode livrar-se de um cavalo caolho e comprar um cego. Como somos todos cheios de defeitos deveríamos observar dois fatos: aprender a suportar e ser tolerantes uns com os outros. Como todos temos telhado de vidro, nenhum de nós deve atirar pedras no telhado do vizinho. Todo mundo ri quando a panela diz para a chaleira: "Como você está preta!". As imperfeições dos outros nos mostram as nossas imperfeições, porque uma ovelha é muito parecida com a outra; e se há um cisco no olho do meu vizinho, sem dúvida há uma viga no meu. Temos de usar nossos vizinhos como espelhos para ver nossas próprias faltas neles, e corrigir em nós mesmos o que vemos neles.
Não tenho paciência com os que ficam enfiando o nariz na casa de todo mundo para descobrir imperfeições; que usam óculos excelentes para ver as falhas de seus vizinhos. Seria melhor se essas pessoas olhassem seus lares e vissem o demônio onde menos esperavam. Nós vemos o que queremos ou o que achamos que é. As imperfeições são sempre abundantes, onde há pouco amor. Uma vaca branca será toda negra se seus olhos quiserem que ela seja. Se aspiramos por muito tempo um perfume achamos que o aroma não é bom. Seria bem mais agradável, pelo menos para as outras pessoas, se os descobridores de imperfeições dirigissem seus cães para descobrir pontos positivos nos outros; valeria mais a pena e ninguém ficaria de pé com um forcado para mantê-los fora de sua fazenda. Quanto a nossas imperfeições precisaríamos de uma grande lousa para enumerá-las; mas, graças a Deus, sabemos onde levá-las e como tirar delas o melhor. Se cremos em seu Filho, Deus nos ama com todos nossos erros. Por isso, não desanimemos, mas tenhamos esperança de viver, e aprender, e prestar algum bom serviço antes de morrer. Ainda que o carro quebre, ele chega em casa com sua carga, e o cavalo velho, de joelhos quebrados, ainda faz uma parte do trabalho. Não adianta deitar no chão sem fazer nada porque não conseguimos fazer tudo como gostaríamos. Imperfeita ou não, a lavra precisa ser feita; pessoas imperfeitas devem fazê-la também ou não haverá colheita no próximo ano. João pode ser um mau lavrador, mas os anjos não farão seu trabalho para ele, assim, ele tem de começar a fazê-lo ele mesmo. Vamos, Violeta! Arre, pára! Garboso
COISAS QUE NÃO VALEM A PENA TENTAR - C H SPURGEON

Esse é um ditado antigo e sábio: "Não gaste tudo o que você tem, não acredite em tudo que ouve e não faça tudo o que pode." Há tanto trabalho a fazer que precisa de nossas mãos que é uma pena desperdiçar um grão de nossa força. Quando o jogo não vale a pena, abandone-o logo. É perda tempo procurar água em uma fonte seca, ou sangue em um nabo, ou sentido em um tolo. Nunca peça dinheiro a um homem avarento até ter conseguido cozinhar uma pedra. Não processe um devedor que não tenha um centavo para abençoá-lo, você apenas joga dinheiro fora, isso é o mesmo que perder o furão sem caçar o coelho. Nunca ofereça um espelho a um homem cego; se um homem é tão orgulhoso a ponto de não ver suas imperfeições, ele apenas discutirá com você a fim de apontá-las fora dele mesmo. Não adianta segurar uma lanterna para uma toupeira ou falar sobre o paraíso para um homem que não liga para nada a não ser o seu dinheiro. Há um momento certo para tudo, e é uma tolice pregar para homens bêbedos, é o mesmo que jogar pérolas aos porcos. Faça-os ficarem sóbrios e, depois, converse sério com eles; se você os repreende enquanto estão bêbedos, age como se você mesmo estivesse bêbedo.
Não coloque um gato na boléia ou homens em lugares que não foram feitos para eles. Não há como transformar maçãs em ameixas. É uma pena transformar um macaco em um ministro ou uma empregada, em uma senhora. Muitos pregadores são bons alfaiates frustrados ou ótimos sapateiros que não seguiram seu chamado. Quando Deus determina que uma criatura voe, ele lhe dá asas; e quando pretende que homens preguem, dá-lhes habilidade para isso. É uma pena empurrar um homem para a guerra, se ele não sabe lutar. E é melhor desencorajar a escalada de um homem, do que ajudá-lo a quebrar o pescoço. Bolsas de seda não são feitas de orelhas de porco, e os porcos jamais tocarão bem flautas, por mais que os ensine a fazer isso.
Não é sábio almejar o impossível – é um desperdício de pólvora atirar no homem na lua. Fazer reuniões para corrigir alguém é um método muito sensato, se comparado ao que almejam alguns amigos meus, de Londres, que tentam conseguir dinheiro comprando quotas em empresas; seria mais rápido agarrar o vento com uma rede ou carregar água em uma peneira. Fazer bolhas é uma ótima diversão para meninos, mas empresas de bolhas são ferramentas afiadas com as quais ninguém deveria brincar. Se meu amigo tem um dinheiro que ele está em condição de perder, ainda assim não há razão para que ele o dê para um grupo de velhacos. Se eu quisesse me livrar da minha perna não procuraria um tubarão para devorá-la. Antes dar seu dinheiro aos tolos que deixar os embusteiros bajularem você por isso. Não vale a pena fazer coisas desnecessárias. Nunca use gordura em uma porca gorda ou elogie um homem orgulhoso. Não faça roupas para peixes ou capas para altares. Não pinte lírios ou enfeite o evangelho. Nunca enfaixe a cabeça de um homem antes de estar quebrada ou conforte uma consciência que não se confessou. Nunca levante uma vela para o sol ou tente provar uma coisa de que ninguém duvida. Eu não aconselho ninguém a tentar uma coisa que vale menos do que custa. Você pode aromatizar um chiqueiro com lavanda, e um homem com um péssimo estilo de vida pode mostrar um bom caráter com demonstração externa de religião, mas com o tempo, ele se torna um caso perdido. Se nossa nação fosse sensível varreria um bom bocado de gente gastadora, mas inútil, que toma o malte que tem na casa construída pelo Jack, essa gente vive do estado, mas presta pouco serviço a ele. Pagar alguns reais a um homem para ganhar um centavo é muito mais inteligente do que manter bispos que se reúnem apenas para contar os pontos feitos e conversar sobre o melhor modo de não fazer nada. Se o velho cão do meu mestre fosse tão dorminhoco como os bispos, ele seria morto porque não valeria o custo da manutenção. De qualquer modo, o tempo de prestação de contas se aproxima, tão certo como a proximidade do Natal.
Há muito tempo, a experiência ensinou-me a não discutir com ninguém sobre gostos e caprichos; alguém também pode questionar o que você consegue ver no fogo. Que utilidade teríamos se arássemos o ar ou tentássemos convencer alguém, independentemente das conseqüências finais? Não adianta tentar encerrar uma discussão ficando com raiva; isso é quase a mesma coisa que despejar óleo no fogo para apagá-lo ou soprar as brasas com o fole para acabar com elas. Algumas pessoas gostam de confusão – não invejo a escolha, eu prefiro caminhar dez quilômetros para sair de uma que andar meio metro para entrar nela. Com freqüência, tentam me induzir a ser corajoso e agarrar o touro pelos chifres, mas como eu penso que a diversão é mais agradável que proveitosa e que devo deixá-la para os que já estão tão arrebentados que nem mesmo chifrada seria capaz de estragar a cabeça deles. Salomão diz: "Resolva a questão antes que surja a contenda", o que é quase a mesma coisa que dizer: "Desista antes de começar". Quando você encontrar um cachorro louco não discuta com ele, a não ser que tenha certeza de estar certo. Em vez disso, desvie do caminho dele, se ninguém o chamar de covarde, você não precisará chamá-lo de tolo — todo mundo sabe disso. O envolvimento em disputas não leva a nada, "não toque em casa de marimbondos" e não derrube as casas velhas sobre sua cabeça. Tenham certeza, os que se envolvem em brigas ferem o próprio caráter; se você escova os porcos de outras pessoas, logo você precisa esfregar a si mesmo. É o cúmulo da tolice se intrometer entre um homem e sua esposa, pois eles, com certeza, deixam de brigar um com o outro e transferem toda sua força contra você —, e ela também lhe serviria bem. Você só pode culpar a si mesmo se colocar sua colher na sopa dos outros, e ela o queimar você.
Outra coisa, não tente fazer uma mulher de caráter forte ceder, mas lembre-se:Se ela quer, ela quer, Pode acreditar nisso. Se ela não quer, não quer, E pronto.Outro dia, recortei um artigo de um jornal dos Estados Unidos que será meu encerramento:
Seque o Mississipi usando uma colher de sopa, torça seu calcanhar na biqueira de sua bota, faça os anzóis subirem com os balões e pesque estrelas, cavalgue em uma teia de aranha e cace um cometa; lembre-se de onde deixou seu guarda chuva quando cair uma tempestade como as cataratas do Niágara, sufoque uma pulga com um pedaço de tijolo! Em poucas palavras, experimente tudo até agora considerado impossível de acontecer, mas nunca tente persuadir uma mulher a mudar de idéia quando ela já decidiu o que quer.
Por que os Crentes Perseveram ? C H Spurgeon

Por que os Crentes Perseveram?
A esperança que enchia o coração do apóstolo Paulo a respeito dos crentes de Corinto, conforme já sabemos, estava repleta de consolação para aqueles que se mostravam temerosos quanto ao futuro dos membros da igreja em Corinto. Por que o apóstolo acreditava que os crentes de Corinto seriam confirmados até ao fim?
Devemos observar que ele apresentou as suas próprias razões.
“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo”. (1 Coríntios 1.9)
Paulo não disse: “Vós sois fiéis”. A fidelidade do homem é bastante desconfiável; é pura vaidade. O apóstolo também não disse: “Vós tendes ministros fiéis para guiar-vos e instruir-vos. Por isso, creio que estais seguros”. Não! Se somos guardados pelos homens, na realidade nunca seremos guardados. Paulo afirmou: “Deus é fiel”. Se somos fiéis, isto acontece porque Ele é fiel. Toda a nossa salvação descansa na fidelidade de nosso Deus da aliança. Nossa perseverança se fundamenta neste glorioso atributo de Deus. Somos instáveis como o vento, frágeis como a teia de aranha, volúveis como a água.
Não podemos depender de nossas qualidades naturais ou de nossas aquisições espirituais. Mas Deus permanece fiel. Ele é fiel em seu amor: não conhece qualquer variação, nem sombra de mudança. Deus é fiel aos seus propósitos: não começa uma obra e a deixa inacabada. Ele é fiel em seus relacionamentos: como Pai, não abandonará seus filhos; como amigo não negará seu povo; como Criador, não esquecerá a obra de suas mãos. Deus é fiel à sua aliança, que estabeleceu conosco em Cristo Jesus e ratificou com o sangue de seu sacrifício. Deus é fiel ao seu Filho e não permitirá que o sangue dEle tenha sido derramado em vão. Deus é fiel ao seu povo, ao qual Ele prometeu a vida eterna e do qual jamais se afastará.
Esta fidelidade de Deus é o fundamento e a pedra angular de nossa esperança de perseverança até ao final. Os crentes hão de perseverar em santidade, porque Deus se mantém perseverante em graça. Ele persevera em abençoar; por conseguinte, os crentes perseveram em serem abençoados. Deus continua guardando seu povo; conseqüentemente, os crentes continuam guardando os mandamentos dEle. Este é o solo firme e excelente sobre o qual podemos descansar. Portanto, é o favor gratuito e a infinita misericórdia que retinem no alvorecer da salvação; e estes mesmos sinos continuam retinindo melodiosamente durante todo o dia da graça.
Podemos observar que as únicas razões para esperarmos que seremos confirmados até ao fim e que seremos achados inculpáveis se encontram em nosso Deus. Mas nEle estas razões são abundantes.
Primeiramente, elas se fundamentam no que Deus têm feito. Ele decidiu nos abençoar e não retrocederá. Paulo nos recorda que Deus nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Deus realmente nos chamou? A chamada não pode ser revertida, “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). O Senhor jamais retrocede da chamada eficaz de sua graça. Romanos 8.30 diz: “E aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” — esta é a norma invariável do procedimento de Deus. Existe uma chamada comum, sobre a qual as Escrituras dizem: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14). No entanto, a chamada sobre a qual agora estamos pensando é outro tipo de chamada; é uma chamada que prenuncia amor especial e envolve a posse daquilo para o que fomos chamados. Nesse caso, acontece com os chamados o mesmo que ocorreu com a descendência de Abraão, sobre a qual o Senhor declarou: “A quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9).
Naquilo que o Senhor fez, temos poderosas razões que nos asseguram nossa preservação e glória futura, porque Ele nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Isto significa o companheirismo com o Senhor Jesus Cristo. Desejo que você considere atentamente o que isto significa. Se Deus já o chamou por sua graça, você já veio à comunhão com o Senhor Jesus, para se tornar, juntamente com ele, possuidor de todas as coisas. Então, aos olhos do Altíssimo, você é um com o Senhor Jesus. Os seus pecados foram levados pelo Senhor Jesus, que os carregou sobre Si mesmo, em seu próprio corpo, na cruz, tornando-se maldição em seu lugar. Ao mesmo tempo, o Senhor Jesus tornou-se a sua justiça, de modo que você está justificado nEle.
Assim como Adão é o representante de todos os seus descendentes, assim também o Senhor Jesus é o representante de todos os que estão nEle. Assim como a esposa e o esposo são um, assim também o Senhor Jesus é um com aqueles que, pela fé, estão unidos a Ele; são um por meio de uma união que nunca poderá ser desfeita. E, mais do que isso, os crentes são membros do corpo de Cristo; são um com Ele por meio de uma união de amor, permanente e viva. Deus nos chamou a esta união, esta comunhão e este companheirismo; por essa razão, Ele nos deu o sinal e penhor de que seremos confirmados até ao fim. Se fôssemos considerados como estando separados de Cristo, seríamos criaturas infelizes, destinadas a perecer; logo seríamos destruídos e lançados na eterna perdição. Mas, visto que somos um em Cristo, participamos de sua natureza e possuímos sua vida imortal. Nosso destino está vinculado ao de nosso Senhor; e, como Ele não pode ser destruído, não é possível que venhamos a perecer.
Pense demoradamente nesta união com o Filho de Deus, à qual você foi chamado, porque toda a sua esperança está nesta união. Você nunca será pobre, enquanto Jesus for rico, visto que você está em uma união firme com Ele. A necessidade nunca pode assaltá-lo, porque, juntamente com Ele, que é o Possuidor, você é co-proprietário dos céus e da terra. Você nunca pode falir, pois, embora um dos sócios da firma seja tão pobre como um rato de igreja e em si mesmo esteja em completa ruína, incapacitado de pagar o menor de seus imensos débitos, o outro sócio é excessiva e inconcebivelmente rico. Neste companheirismo, você é levantado a uma posição que supera a depressão dos tempos, as mudanças do futuro e o colapso do fim de todas as coisas. Deus o chamou à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo, e por meio desta chamada o colocou no lugar de segurança infalível.
Se você é um verdadeiro crente, é um com o Senhor Jesus e, por isso, está seguro. Você não percebe que tem de ser assim? Se você já foi realmente feito um com o Senhor Jesus, por meio de um ato irrevogável de Deus, então você tem de ser confirmado até ao fim, até ao dia da manifestação dEle. Cristo e o pecador convertido estão no mesmo barco. Se Jesus não pode afundar, o crente também nunca sucumbirá. Jesus tomou seus redimidos e os uniu de tal modo a Si mesmo, que, antes de qualquer outra coisa, Ele tem de ser destruído, vencido e desonrado, para que, então, os seus redimidos sejam injuriados. O Senhor Jesus é o titular da firma, e, até que Ele desonre seu próprio nome, estamos seguros contra todos os temores de falência.
Portanto, com ousada confiança, prossigamos em direção ao futuro que ainda desconhecemos, unidos eternamente a Jesus. Se os homens do mundo perguntam: “Quem é esta que sobe do deserto e que vem encostada ao seu amado?” (Ct 8.5), confessamos com alegria que realmente nos encostamos em Jesus e que pretendemos nos unir a Ele cada vez mais. Nosso Deus fiel é um manancial transbordante de deleites, e nossa comunhão com o Filho de Deus é um rio transbordante de regozijo. Sabendo estas coisas gloriosas, não podemos nos desencorajar. Pelo contrário, clamamos juntamente com o apóstolo: “Quem nos separará... do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”? (Rm 8.35-39).
O MOTIVO MAIS IMPORTANTE PARA O ARREPENDIMENTO - C H SPURGEON

“Olharão para aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).
O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus... Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus... me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas... Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo... Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz... O arrependimento evangélico é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados... Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus...O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos...Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço — admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos — as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia... Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável... Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura... A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos... No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)... Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos... Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra...Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado... Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.
SEM TEMOR DOS HOMENS - C H SPURGEON
Enquanto o Senhor tinha um serviço a ser realizado por Paulo em Corinto, a fúria da multidão foi restringida. Os judeus se opuseram e blasfemaram, porém não puderam interromper a pregação do evangelho, nem impedir a conversão dos ouvintes. Deus tem autoridade sobre as mentes mais rebeldes. Ele faz a ira dos homens louvá-lo, quando ela irrompe. Todavia, Ele revela muito mais a sua bondade quando restringe a ira dos homens; e Deus pode restringi-la. “Pela grandeza do teu braço, emudeceram como pedra; até que passe o teu povo, ó Senhor” (Êx 15.16).
Portanto, querido irmão, não sinta qualquer temor dos homens, quando você sabe que está cumprindo seu dever. Continue em frente, como Jesus o teria feito; e aqueles que se opõem se tornarão semelhantes a canas quebradas e a canas torcidas que fumegam. Muitas vezes as pessoas têm motivo para sentir medo, porque elas mesmas são medrosas. No entanto, uma fé intrépida em Deus lança fora o medo, como se fosse uma teia de aranha no caminho de um gigante. Nenhum homem pode nos prejudicar, a menos que o Senhor o permita. Aquele que faz Satanás recuar diante de uma só palavra certamente pode controlar os agentes dele. Talvez estes sintam mais medo de você do que você sente deles. Portanto, avance e, onde você esperava se deparar com inimigos, encontrará amigos.
Portanto, querido irmão, não sinta qualquer temor dos homens, quando você sabe que está cumprindo seu dever. Continue em frente, como Jesus o teria feito; e aqueles que se opõem se tornarão semelhantes a canas quebradas e a canas torcidas que fumegam. Muitas vezes as pessoas têm motivo para sentir medo, porque elas mesmas são medrosas. No entanto, uma fé intrépida em Deus lança fora o medo, como se fosse uma teia de aranha no caminho de um gigante. Nenhum homem pode nos prejudicar, a menos que o Senhor o permita. Aquele que faz Satanás recuar diante de uma só palavra certamente pode controlar os agentes dele. Talvez estes sintam mais medo de você do que você sente deles. Portanto, avance e, onde você esperava se deparar com inimigos, encontrará amigos.
O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ - C H SPURGEON

VIVENDO PELA FÉ E NÃO PELOS SENTIMENTOS – “O justo viverá por fé” (Rm 1.17).Eu não morrerei. Eu posso crer, e realmente creio, no Senhor, meu Deus; e esta fé me preservará vivo. Serei contado entre aqueles que, em suas vida, são justos. Mas, ainda que eu fosse perfeito, eu não procuraria viver por minha justiça; apegar-me-ia à obra do Senhor Jesus e ainda viveria somente pelo fé nEle e por nada mais. Se eu fosse capaz de oferecer meu corpo para ser queimado, por causa de meu Senhor, não confiaria em minha coragem e firmeza; continuaria a viver pela fé.Se eu fosse um mártir na estaca,Invocaria o nome de meu Senhor.Suplicaria perdão por amor ao seu nomeE não pronunciaria qualquer outro clamor.Viver pela fé é uma atitude mais segura e mais feliz, para realizarmos, do que viver pelos sentimentos ou pelas obras. O ramo, por estar vivendo na videira, desfruta de uma vida melhor do que se estivesse vivendo por si mesmo, se fosse possível pra ele viver completamente separado do caule.Viver apegado a Jesus, extraindo dEle tudo que necessitamos, é uma realização sagrada e agradável. Se mesmo os mais justos têm de viver de conformidade com este padrão, quanto mais devo eu, um pobre pecador! Senhor, eu creio; tenho de crer em Ti completamente. O que mais eu posso fazer? Crer em Ti é a minha vida. Sinto que tem de ser assim. Por meio desta atitude, permanecerei em Ti até o fim
NENHUM FILHO DE DEUS SE PERDERÁ- C H SPURGEON

O justo seguirá o seu caminho firmemente. (Jó 17:9)
O verdadeiro cristão é uma pessoa que foi tornada justa. O homem justo vive de maneira bem diferente daquela do homem mundano. Ele anda no caminho de Deus, um caminho santo. Deus dá continuamente Sua graça e ajuda ao verdadeiro cristão, para que possa continuar a andar nesse caminho. As vezes a vida será muito severa e difícil e ele caminhará vagarosamente. Outras vezes quase não fará nenhum progresso, mas terá a determinação de continuar avançando. Ele continuará mirando o céu e dando as costas ao mundo. Ele "seguirá seu caminho firmemente".Um homem tornasse um verdadeiro cristão por causa da obra de Deus em sua vida. É também pela obra de Deus que o homem continua a ser cristão. A graça e a força que Deus lhe dá ajudam-mo a resistir todas as coisas que estão contra ele. O mundo, a carne e Satanás tentam lhe deter. Entretanto, com a determinação que Deus dá ao crente, ele "segue seu caminho firmemente".Nosso texto, "O justo seguirá seu caminho firmemente", nos ensina muito claramente que crentes, santos, irão perseverar; continuarão até o fim. Os cristãos devem entender o que é "seguir firmemente" e também o que não é. A Bíblia não nos ensina que o crente alcançará o céu sem andar pelo caminho reto que o leva até lá. Uma mera profissão de fé em Cristo como Salvador não é suficiente. Nossa fé nEle precisa continuar. Devemos estar diariamente nos arrependendo, crendo e orando. O caminho é muitas vezes difícil e o cristão pode cair em pecado. Quando isto acontece, ele não pode descansar ou estar feliz até que volte a Cristo, confesse seu pecado e seja purificado novamente.O crente não quer pecar. Ele quer ser perfeito e santo, como seu Pai que está no céu o é. Nós não ensinamos que a partir do momento que alguém crê, ele pode então viver em pecado e ainda ser salvo. Tal ensinamento é muito errado. Um filho de Deus não pode levar uma vida de pecado. E em razão da graça e da ajuda que Deus lhe dá, ele não viverá dessa maneira.1. Nós lhes mostraremos, primeiramente, o verdadeiro ensino da Bíblia. Em seguida, explicaremos as lições espirituais qué podemos aprender desse ensino. Será proveitoso ter suas Bíblias à mão, para que possam examinar os diferentes versículos citados.Cremos que Deus tem um povo escolhido. Essas pessoas são redimidas e a elas será dada vida eterna. Cremos que a graça de Deus produz convicção dos pecados nos corações dessas pessoas.
Primeiramente Deus lhes mostra seus pecados. Em seguida, Deus as leva a crerem em Cristo. Pelo fato de que Cristo é justo, Deus vê os Seus filhos que confiam em Cristo como justos também. Cremos ainda que estas pessoas escolhidas e eleitas certamente serão levadas à glória no céu. Essas doutrinas da graça são como uma corrente, cada uma está ligada às outras. Cada elo na corrente, isto é, cada doutrina, necessita das outras.Existem muitas pessoas que não crêem neste ensinamento. Elas nos dizem que na Bíblia há advertência contra as pessoas que abandonam sua fé. Perguntam: "Por que são dados esses avisos se é realmente verdade que "os justos seguirão firmemente seu caminho?" Se não é possível para os verdadeiros cristãos abandonarem sua fé, qual é a necessidade das advertências sobre perder--se? Será que essas advertências não são utilizadas por Deus para que Seu povo não se afaste dEle?"Na Epístola aos Hebreus encontramos sérias advertências contra o abandono da fé (apostasia). Mas o autor de Hebreus está certo de que os verdadeiros cristãos a quem ele está escrevendo não estarão entre os que abandonarão sua fé. Ele diz: "Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores" (Heb. 6:9).No entanto, aqueles que não gostam do ensinamento de que o verdadeiro cristão não pode em última análise perder sua fé, nos dizem que na Palavra de Deus há aqueles que conheceram de fato a Cristo e mesmo assim abandonaram o caminho cristão. Devemos dizer a eles que isto não é verdadeiro. Devemos lembrá-los de versículos como I João 2:19: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós".No Evangelho de João, o Senhor Jesus Cristo fala dos ramos da videira que, por não produzirem nenhum fruto, foram cortados e queimados. Ilustrando-se isso de uma outra maneira, existem muitas pessoas que parecem sercristãs exteriormente, mas que nos seus corações realmente não são cristãs. Essas pessoas deixarão a companhia dos autênticos cristãos e jamais retornarão. Elas serão como ramos sem frutos que só servem para serem queimados. Isso já não acontece com o cristão autêntico. Ele poderá se desviar, porém voltará. Ele não será como um ramo de árvore que foi cortado. Ele será como um ramo que foi podado, para que mais tarde produza novamente fruto. Em Mateus 7:23, aqueles a quem o Senhor diz: "Nunca vos conheci" jamais foram Seus seguidores.A primeira razão que damos para mostrarporque os verdadeiros crentes seguirão firmes até o fim, é o tipo de vida que receberam ao nascerem de novo. O apóstolo Pedro diz que os filhos de Deus foram "de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (I Ped. 1:23). Toda pessoa que nasce neste mundo tem um corpo físico, o qual irá morrer. Mas todo aquele que tem esta nova vida espiritual, possui uma nova natureza, a qual não morre. Essa nova vida vem de Deus e é eterna, então como pode morrer?A pessoa que nasce de novo odiará o pecado e lutará contra ele. Essa pessoa não será capaz de levar uma vida de pecado, embora nunca esteja completamente livre de pecar. O Senhor Jesus Cristo, falando à mulher samaritana ao poço, disse: "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der se fará nele uma fonte d'água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14). A nova vida que recebemos como crentes jamais será retirada de nós. Ela nos dá vida eterna. Ela vence a nossa natureza pecaminosa.Nossa nova vida está intimamente ligada com fé, e fé sempre triunfa. A Bíblia nos assegura que a fé não pode ser derrotada. Deus colocou Sua vida em nós. Ele nos tem conduzido das trevas para a luz. Temos uma esperança viva porque Cristo ressuscitou dos mortos. Seu Espírito veio habitar em nós. Devemos crer que esta vida divina dentro de nós não pode morrer. "O justo seguirá o seu caminho firmemente'*.A segunda razão que damos a favor da perseverança dos santos provém das coisas que o próprio Senhor Jesus declarou. Uma delas é: "Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:15). Pode o homem crer e ;m seguida morrer? Pode ele receber uma vida espiritual que não é eterna? Isso não é possível. "Deus deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça" (João 3:16).Alguns dizem que é possível ter vida eterna e então perdê-la. No entanto, isso não pode ser verdade. Vida eterna é eterna e não pode ser perdida. A pessoa a quem ela é dada jamais morrerá. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna" (João 6:40). Os santos no céu têm vida eterna e eles não morrerão. Da mesma forma os santos na terra, os quais têm a mesma vida eterna, não podem morrer.Esta verdade é ensinada em muitos textos da Bíblia. Em João 6:47 nosso Senhor disse aos judeus que "Aquele que crê em mim tem a vida eterna". Não precisamos de nenhuma outra passagem além de João 10:28-29: "Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai".
O Senhor Jesus Cristo irá segurar Seu povo em Suas poderosas mãos. O Pai também irá segurá-lo. Isso deve significar que os santos estão salvos de tudo que tente destruí-los. Portanto os santos estão salvos da apostasia.Mateus 24:24 é um importante versículo. Fala de falsos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e prodígios para se possível enganar até os escolhidos. Isto mostra que não é possível para os eleitos de Deus serem enganados. Os servos de Cristo conhecem Sua voz, a voz do Bom Pastor e eles O seguem: "O justo seguirá o seu caminho firmemente".Aterceira razão porque os crentes estarão seguros para sempre reside no fato de que Jesus ora por Seu povo. Ele não está morto; ressuscitou e está no céu; Ele intercede ali, continuamente, junto ao Pai por Seu próprio povo. O nome de cada um está escrito em Seu coração. O escritor da carta aos Hebreus diz: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25).Os filhos de Deus podem ter uma vida muito difícil. Eles podem ser cirandados pra lá e pra cá como farinha numa peneira. Eles podem pecar. Eles podem estar entristecidos. Entretanto as orações do seu Salvador irão impedir que eles percam sua fé. Pedro disse três vezes que não conhecia Cristo. Isso certamente foi pecado; porém seu Senhor e Salvador havia orado ao Pai a favor de Pedro. Ele foi restaurado e testemunhou a outros sobre Cristo, ao invés de negá-lO.Leia no Evangelho de João, capítulo 17,-onde consta a oração do Senhor por Seu povo. Antes de Sua crucificação Ele orou: "Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste..." (João 17:11). Somos muito fracos e se fôssemos deixados sem ajuda perderíamos nossa fé. Todavia, devido Cristo orar por nós, "seguiremos firmemente".Chegamos agora à quarta razão. Baseamo-nos no que Cristo foi e fez aqui, na terra. Na sua segunda carta à Timóteo, o apóstolo Paulo diz: "... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tm. 1:12). Paulo diz que o Senhor Jesus o amou; que Ele morreu na cruz para salvá-lo; e que nos céus está orando por ele. Por isso Paulo é capaz de colocar sua alma aos cuidados de seu poderoso e amável Senhor. Jesus intercederá pelo Seu povo escolhido até que ele chegue aos céus.Nossa quinta razão é que os santos irão perseverar por causa do concerto da graça. Leiam para vocês mesmos no Velho Testamento, em Jeremias capítulo 32. No versículo 40 Deus diz: "E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim". Deus não deixará Seu povo nem Seu povo O deixará.Hebreus, capítulo 8, nos diz que viveremos sob este novo pacto. O pacto antigo era o de obras e requeria perfeita obediência da nossa parte. Como pecadores por natureza, incapazes de obedecermos perfeitamente os mandamentos de Deus, seríamos todos condenados à morte. O novo pacto é bem diferente. É um pacto da graça. Não temos como sair do reino da graça, pois o Deus que fez o pacto prometeu nos guardar. Deus disse através do profeta Isaías: "Porque as montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti" (Is. 54:10).Não devemos retornar ao pacto antigo que nos prenderia com correntes como se fôssemos escravos. Estamos sob a nova aliança. Deus nos deu vida eterna. Jamais morreremos. Cristo nos segura em Suas mãos, e ninguém pode nos arrebatar dEle. É uma aliança maravilhosa!A sexta razão é bem forte. É baseada na fidelidade de rjeus. Deus não é como os homens. Se Ele fez uma promessa, Ele a cumprirá. Se Deus começa a fazer algo, Ele não irá parar até que a obra esteja terminada. Está escrito: "Porque eu, o Senhor, não mudo..." (Mal. 3:6). Portanto devemos confiar na fidelidade de Deus. O apóstolo Paulo diz: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (I Cor. 1:9). Deus nos chamou e nos salvou. Ele será fiel às Suas promessas para nos manter andando no Seu caminho até que nos leve para nossa morada na glória junto a Si mesmo. "O justo seguirá o seu caminho firmemente".A sétima e última razão porque os santos hão de perseverar até o fim é baseada no que Deus já tem feito em nós. Deixemos as passagens seguintes penetrarem em nossas mentes. Jerernias disse: "Pois com amor eterno te amei, com amorável benignidadejte atraí" (Jer. 31:3). Que palavras maravilhosas — "amor eterno, amorável benignidade"! Como podemos pensar que Ele nos deixará, visto que nos ama de tal maneira? Leiam Romanos 5:10- "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Estas palavras significam que, se Deus nos trouxe de volta à Ele quando éramos inimigos, através da morte de Seu Filho, Ele não nos abandonará agora que somos Seus amigos.Leiam também Romanos 8:29-30 que são versículos belíssimos. "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes justificou; e aos que justificou a estes também glorificou". Como dissemos anteriormente, as doutrinas da graça são como uma corrente que não pode ser quebrada. A Palavra diz isto de maneira bem sublime. "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom. 8:33-35).Novamente, nós lemos: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fil. 1:6). Esta passagem resume tudo que estamos tentando dizer. Deus continuará com a obra que Ele começou em nós até que ela esteja terminada.Nossa união espiritual com Cristo é comparada à união matrimonial. Cristo é o noivo. O corpo todo de crentes, a Igreja, é a noiva. Cristo não irá, nem pode, divorciar-Se da noiva. Oséias diz: "E desposar-te-ei comigo para sempre..." (Os. 2:19). Esta união é explicada de uma outra forma. Nós somos o coipo. Cristo é a cabeça do corpo. Como podem os dois ser separados?Ainda mais, foi dado o Espírito Santo a todos os escolhidos de Deus. Esta é a maior evidência que eles formam um povo redimido, comprado. O Espírito Santo é um sinal vivo de que Deus os reivindicou para Si. A palavra usada pelo apóstolo descreve o Espírito como um selo. Isto mostra a segurança completa da pessoa que está selada até que toda a obra de redenção nela seja concluída e ela chegue ao céu. O Espírito Santo, que vive em nós, nos guardará até aquele dia. O melhor é usar as palavras do apóstolo Paulo à Timóteo: "E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o Seu reino celestial..." (II Tim. 4:18). Com corações confiantes devemos dizer com Paulo "Amém".2. Concluindo, o que temos de aprender de forma prática desse ensino? Nova coragem é dada ao homem que está na estrada para o céu. Ele pode estar achando o caminho longo e duro, sentindo que nunca chegará ao fim, semelhante ao viajante que enfrenta vento e chuva, e íngremes morros a subir. Talvez chegue a querer se deitar e morrer, porque não tem esperança que possa continuar até o fim. Então ele ouve uma voz lhe dizendo: "O justo seguirá o seu caminho firmemente". Ele sabe, então, que irá chegar ao fim da estrada. Isto lhe dá novas forças para lutar contra tudo que se opõe a ele.No céu uma coroa está aguardando todo o crente verdadeiro. Este pensamento lhe dá forças para continuar. Haveremos de alcançar o céu. Nossa coroa está lá. Haveremos de chegar lá para usá-la. Nossa coragem é então renovada e continuamos até que ganhemos a vitória sobre nosso último inimigo — a morte.A certeza de que pecadores que vêm à Cristo serão guardados por Ele e finalmente levados ao céu, deve conduzir pecadores à Cristo. Quando eu era um menino, não queria fazer coisas erradas e estava receioso que as fizesse. Vi muitos outros vivendo em pecado. Sabia que eu era fraco. Então ouvi dizer que se eu fosse a Cristo, Ele me guardaria. Eram notícias maravilhosas. Acheguei--me a Cristo. Cri nEle. Fui feito justo. Desde então Ele tem me guardado pelo poder do Seu Espírito Santo. Agora que já tenho certa idade, estas verdades me atraem mais do que nunca.Possuir vida eterna é como ser dono de um diamante ou de um montão de ouro. Você, meu amigo, gostaria de possuir essa vida eterna? Te-la-á, se crer em Jesus Cristo. Você será salvo agora, salvo no viver, no morrer e no ressuscitar. Será guardado pelo poder infinito e pelo amor eterno de Deus. Confie sua alma a Ele e será então capaz de dizer com o apóstolo Paulo: "... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tim. 1:12).
Primeiramente Deus lhes mostra seus pecados. Em seguida, Deus as leva a crerem em Cristo. Pelo fato de que Cristo é justo, Deus vê os Seus filhos que confiam em Cristo como justos também. Cremos ainda que estas pessoas escolhidas e eleitas certamente serão levadas à glória no céu. Essas doutrinas da graça são como uma corrente, cada uma está ligada às outras. Cada elo na corrente, isto é, cada doutrina, necessita das outras.Existem muitas pessoas que não crêem neste ensinamento. Elas nos dizem que na Bíblia há advertência contra as pessoas que abandonam sua fé. Perguntam: "Por que são dados esses avisos se é realmente verdade que "os justos seguirão firmemente seu caminho?" Se não é possível para os verdadeiros cristãos abandonarem sua fé, qual é a necessidade das advertências sobre perder--se? Será que essas advertências não são utilizadas por Deus para que Seu povo não se afaste dEle?"Na Epístola aos Hebreus encontramos sérias advertências contra o abandono da fé (apostasia). Mas o autor de Hebreus está certo de que os verdadeiros cristãos a quem ele está escrevendo não estarão entre os que abandonarão sua fé. Ele diz: "Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores" (Heb. 6:9).No entanto, aqueles que não gostam do ensinamento de que o verdadeiro cristão não pode em última análise perder sua fé, nos dizem que na Palavra de Deus há aqueles que conheceram de fato a Cristo e mesmo assim abandonaram o caminho cristão. Devemos dizer a eles que isto não é verdadeiro. Devemos lembrá-los de versículos como I João 2:19: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós".No Evangelho de João, o Senhor Jesus Cristo fala dos ramos da videira que, por não produzirem nenhum fruto, foram cortados e queimados. Ilustrando-se isso de uma outra maneira, existem muitas pessoas que parecem sercristãs exteriormente, mas que nos seus corações realmente não são cristãs. Essas pessoas deixarão a companhia dos autênticos cristãos e jamais retornarão. Elas serão como ramos sem frutos que só servem para serem queimados. Isso já não acontece com o cristão autêntico. Ele poderá se desviar, porém voltará. Ele não será como um ramo de árvore que foi cortado. Ele será como um ramo que foi podado, para que mais tarde produza novamente fruto. Em Mateus 7:23, aqueles a quem o Senhor diz: "Nunca vos conheci" jamais foram Seus seguidores.A primeira razão que damos para mostrarporque os verdadeiros crentes seguirão firmes até o fim, é o tipo de vida que receberam ao nascerem de novo. O apóstolo Pedro diz que os filhos de Deus foram "de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (I Ped. 1:23). Toda pessoa que nasce neste mundo tem um corpo físico, o qual irá morrer. Mas todo aquele que tem esta nova vida espiritual, possui uma nova natureza, a qual não morre. Essa nova vida vem de Deus e é eterna, então como pode morrer?A pessoa que nasce de novo odiará o pecado e lutará contra ele. Essa pessoa não será capaz de levar uma vida de pecado, embora nunca esteja completamente livre de pecar. O Senhor Jesus Cristo, falando à mulher samaritana ao poço, disse: "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der se fará nele uma fonte d'água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14). A nova vida que recebemos como crentes jamais será retirada de nós. Ela nos dá vida eterna. Ela vence a nossa natureza pecaminosa.Nossa nova vida está intimamente ligada com fé, e fé sempre triunfa. A Bíblia nos assegura que a fé não pode ser derrotada. Deus colocou Sua vida em nós. Ele nos tem conduzido das trevas para a luz. Temos uma esperança viva porque Cristo ressuscitou dos mortos. Seu Espírito veio habitar em nós. Devemos crer que esta vida divina dentro de nós não pode morrer. "O justo seguirá o seu caminho firmemente'*.A segunda razão que damos a favor da perseverança dos santos provém das coisas que o próprio Senhor Jesus declarou. Uma delas é: "Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:15). Pode o homem crer e ;m seguida morrer? Pode ele receber uma vida espiritual que não é eterna? Isso não é possível. "Deus deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça" (João 3:16).Alguns dizem que é possível ter vida eterna e então perdê-la. No entanto, isso não pode ser verdade. Vida eterna é eterna e não pode ser perdida. A pessoa a quem ela é dada jamais morrerá. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna" (João 6:40). Os santos no céu têm vida eterna e eles não morrerão. Da mesma forma os santos na terra, os quais têm a mesma vida eterna, não podem morrer.Esta verdade é ensinada em muitos textos da Bíblia. Em João 6:47 nosso Senhor disse aos judeus que "Aquele que crê em mim tem a vida eterna". Não precisamos de nenhuma outra passagem além de João 10:28-29: "Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai".
O Senhor Jesus Cristo irá segurar Seu povo em Suas poderosas mãos. O Pai também irá segurá-lo. Isso deve significar que os santos estão salvos de tudo que tente destruí-los. Portanto os santos estão salvos da apostasia.Mateus 24:24 é um importante versículo. Fala de falsos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e prodígios para se possível enganar até os escolhidos. Isto mostra que não é possível para os eleitos de Deus serem enganados. Os servos de Cristo conhecem Sua voz, a voz do Bom Pastor e eles O seguem: "O justo seguirá o seu caminho firmemente".Aterceira razão porque os crentes estarão seguros para sempre reside no fato de que Jesus ora por Seu povo. Ele não está morto; ressuscitou e está no céu; Ele intercede ali, continuamente, junto ao Pai por Seu próprio povo. O nome de cada um está escrito em Seu coração. O escritor da carta aos Hebreus diz: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25).Os filhos de Deus podem ter uma vida muito difícil. Eles podem ser cirandados pra lá e pra cá como farinha numa peneira. Eles podem pecar. Eles podem estar entristecidos. Entretanto as orações do seu Salvador irão impedir que eles percam sua fé. Pedro disse três vezes que não conhecia Cristo. Isso certamente foi pecado; porém seu Senhor e Salvador havia orado ao Pai a favor de Pedro. Ele foi restaurado e testemunhou a outros sobre Cristo, ao invés de negá-lO.Leia no Evangelho de João, capítulo 17,-onde consta a oração do Senhor por Seu povo. Antes de Sua crucificação Ele orou: "Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste..." (João 17:11). Somos muito fracos e se fôssemos deixados sem ajuda perderíamos nossa fé. Todavia, devido Cristo orar por nós, "seguiremos firmemente".Chegamos agora à quarta razão. Baseamo-nos no que Cristo foi e fez aqui, na terra. Na sua segunda carta à Timóteo, o apóstolo Paulo diz: "... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tm. 1:12). Paulo diz que o Senhor Jesus o amou; que Ele morreu na cruz para salvá-lo; e que nos céus está orando por ele. Por isso Paulo é capaz de colocar sua alma aos cuidados de seu poderoso e amável Senhor. Jesus intercederá pelo Seu povo escolhido até que ele chegue aos céus.Nossa quinta razão é que os santos irão perseverar por causa do concerto da graça. Leiam para vocês mesmos no Velho Testamento, em Jeremias capítulo 32. No versículo 40 Deus diz: "E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim". Deus não deixará Seu povo nem Seu povo O deixará.Hebreus, capítulo 8, nos diz que viveremos sob este novo pacto. O pacto antigo era o de obras e requeria perfeita obediência da nossa parte. Como pecadores por natureza, incapazes de obedecermos perfeitamente os mandamentos de Deus, seríamos todos condenados à morte. O novo pacto é bem diferente. É um pacto da graça. Não temos como sair do reino da graça, pois o Deus que fez o pacto prometeu nos guardar. Deus disse através do profeta Isaías: "Porque as montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti" (Is. 54:10).Não devemos retornar ao pacto antigo que nos prenderia com correntes como se fôssemos escravos. Estamos sob a nova aliança. Deus nos deu vida eterna. Jamais morreremos. Cristo nos segura em Suas mãos, e ninguém pode nos arrebatar dEle. É uma aliança maravilhosa!A sexta razão é bem forte. É baseada na fidelidade de rjeus. Deus não é como os homens. Se Ele fez uma promessa, Ele a cumprirá. Se Deus começa a fazer algo, Ele não irá parar até que a obra esteja terminada. Está escrito: "Porque eu, o Senhor, não mudo..." (Mal. 3:6). Portanto devemos confiar na fidelidade de Deus. O apóstolo Paulo diz: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (I Cor. 1:9). Deus nos chamou e nos salvou. Ele será fiel às Suas promessas para nos manter andando no Seu caminho até que nos leve para nossa morada na glória junto a Si mesmo. "O justo seguirá o seu caminho firmemente".A sétima e última razão porque os santos hão de perseverar até o fim é baseada no que Deus já tem feito em nós. Deixemos as passagens seguintes penetrarem em nossas mentes. Jerernias disse: "Pois com amor eterno te amei, com amorável benignidadejte atraí" (Jer. 31:3). Que palavras maravilhosas — "amor eterno, amorável benignidade"! Como podemos pensar que Ele nos deixará, visto que nos ama de tal maneira? Leiam Romanos 5:10- "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Estas palavras significam que, se Deus nos trouxe de volta à Ele quando éramos inimigos, através da morte de Seu Filho, Ele não nos abandonará agora que somos Seus amigos.Leiam também Romanos 8:29-30 que são versículos belíssimos. "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes justificou; e aos que justificou a estes também glorificou". Como dissemos anteriormente, as doutrinas da graça são como uma corrente que não pode ser quebrada. A Palavra diz isto de maneira bem sublime. "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom. 8:33-35).Novamente, nós lemos: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fil. 1:6). Esta passagem resume tudo que estamos tentando dizer. Deus continuará com a obra que Ele começou em nós até que ela esteja terminada.Nossa união espiritual com Cristo é comparada à união matrimonial. Cristo é o noivo. O corpo todo de crentes, a Igreja, é a noiva. Cristo não irá, nem pode, divorciar-Se da noiva. Oséias diz: "E desposar-te-ei comigo para sempre..." (Os. 2:19). Esta união é explicada de uma outra forma. Nós somos o coipo. Cristo é a cabeça do corpo. Como podem os dois ser separados?Ainda mais, foi dado o Espírito Santo a todos os escolhidos de Deus. Esta é a maior evidência que eles formam um povo redimido, comprado. O Espírito Santo é um sinal vivo de que Deus os reivindicou para Si. A palavra usada pelo apóstolo descreve o Espírito como um selo. Isto mostra a segurança completa da pessoa que está selada até que toda a obra de redenção nela seja concluída e ela chegue ao céu. O Espírito Santo, que vive em nós, nos guardará até aquele dia. O melhor é usar as palavras do apóstolo Paulo à Timóteo: "E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o Seu reino celestial..." (II Tim. 4:18). Com corações confiantes devemos dizer com Paulo "Amém".2. Concluindo, o que temos de aprender de forma prática desse ensino? Nova coragem é dada ao homem que está na estrada para o céu. Ele pode estar achando o caminho longo e duro, sentindo que nunca chegará ao fim, semelhante ao viajante que enfrenta vento e chuva, e íngremes morros a subir. Talvez chegue a querer se deitar e morrer, porque não tem esperança que possa continuar até o fim. Então ele ouve uma voz lhe dizendo: "O justo seguirá o seu caminho firmemente". Ele sabe, então, que irá chegar ao fim da estrada. Isto lhe dá novas forças para lutar contra tudo que se opõe a ele.No céu uma coroa está aguardando todo o crente verdadeiro. Este pensamento lhe dá forças para continuar. Haveremos de alcançar o céu. Nossa coroa está lá. Haveremos de chegar lá para usá-la. Nossa coragem é então renovada e continuamos até que ganhemos a vitória sobre nosso último inimigo — a morte.A certeza de que pecadores que vêm à Cristo serão guardados por Ele e finalmente levados ao céu, deve conduzir pecadores à Cristo. Quando eu era um menino, não queria fazer coisas erradas e estava receioso que as fizesse. Vi muitos outros vivendo em pecado. Sabia que eu era fraco. Então ouvi dizer que se eu fosse a Cristo, Ele me guardaria. Eram notícias maravilhosas. Acheguei--me a Cristo. Cri nEle. Fui feito justo. Desde então Ele tem me guardado pelo poder do Seu Espírito Santo. Agora que já tenho certa idade, estas verdades me atraem mais do que nunca.Possuir vida eterna é como ser dono de um diamante ou de um montão de ouro. Você, meu amigo, gostaria de possuir essa vida eterna? Te-la-á, se crer em Jesus Cristo. Você será salvo agora, salvo no viver, no morrer e no ressuscitar. Será guardado pelo poder infinito e pelo amor eterno de Deus. Confie sua alma a Ele e será então capaz de dizer com o apóstolo Paulo: "... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tim. 1:12).
terça-feira, 28 de julho de 2009
A LINHA INVISIVEL - C H SPURGEON

Existe um tempo, não sabemos quando,
Um ponto, não sabemos onde,
Que marca o destino dos homens,
Para glória ou desgraça.
Existe uma linha a nós invisível,
Que cruza cada caminho;
O limite misterioso entre
A paciência e a ira de Deus.
Que cruza cada caminho;
O limite misterioso entre
A paciência e a ira de Deus.
Passar este limite é morrer,
Morrer como se em segredo:
Ele não apagasse o olhar que brilha,
Nem empalidecesse a saúde que incandesce.
Morrer como se em segredo:
Ele não apagasse o olhar que brilha,
Nem empalidecesse a saúde que incandesce.
A consciência pode estar todavia tranqüila,
O espírito leve e alegre;
Naquele que pensa estar agradando,
E nem cuida ser arremessado para longe.
O espírito leve e alegre;
Naquele que pensa estar agradando,
E nem cuida ser arremessado para longe.
Mas sobre esta testa, Deus tem colocado
Permanentemente uma marca
Invisível ao homem, porque o homem ainda
É cego e corre na escuridão.
Permanentemente uma marca
Invisível ao homem, porque o homem ainda
É cego e corre na escuridão.
E ainda que o caminho do homem condenado
Como o Éden possa ter florido;
Ele não sabia, nem sabe, nem saberá,
Nem sente que está condenado.
Como o Éden possa ter florido;
Ele não sabia, nem sabe, nem saberá,
Nem sente que está condenado.
Ele pensa e sente que tudo está bem,
E cada medo é tranqüilizado;
Ele vive, morre, acorda no inferno,
Não somente condenado mas desaprovado.
E cada medo é tranqüilizado;
Ele vive, morre, acorda no inferno,
Não somente condenado mas desaprovado.
Ó, onde está Tua misteriosa linha,
A qual nosso caminho cruza,
Além da qual o próprio Deus tem jurado,
Estar perdido quem dela passar?
A qual nosso caminho cruza,
Além da qual o próprio Deus tem jurado,
Estar perdido quem dela passar?
Até onde podemos viver pecando?
Quanto Deus tolerará?
Quando a esperança termina?
E onde começam
Quanto Deus tolerará?
Quando a esperança termina?
E onde começam
Os confins do desespero?
Uma resposta dos céus é enviada:
‘Tu que te desvias de Deus
Enquanto és chamado, hoje,
Arrepende-te!E não endureças o teu coração.’
Uma resposta dos céus é enviada:
‘Tu que te desvias de Deus
Enquanto és chamado, hoje,
Arrepende-te!E não endureças o teu coração.’
Charles H. Spurgeon“Uma fé pequena leva as almas até o céu, mas uma grande fé traz o céu até as almas”
MEDITAÇÃO - C H SPURGEON

Alguns trechos bíblicos ficam claros diante dos nossos olhos — pastos baixos e abençoados onde os cordeiros podem se alimentar; existem, no entanto, profundezas onde nossa mente poderia antes afogar-se do que nadar com prazer, se ela chegasse até lá sem cautela. Existem textos das Escrituras que foram feitos e construídos com o propósito de nos levar a pensar. Por esse meio, inclusive, nosso Pai celestial quer nos educar para o céu — fazendo-nos penetrar nos mistérios divinos com a nossa mente. Por isso, Ele nos oferece a sua Palavra de uma forma às vezes complexa, para nos compelir a meditar sobre ela, antes de chegarmos à sua doçura. Ele poderia ter explicado tudo de tal maneira que captássemos o pensamento num só minuto, mas não foi da vontade dEle fazer assim em todos os casos. Muitos dos véus que são lançados sobre as Escrituras não têm a intenção de ocultar o significado aos leitores diligentes, mas de compelir a mente a ser ativa, pois muitas vezes a diligência do coração em procurar saber a vontade divina faz mais bem ao coração do que a própria sabedoria obtida. A meditação e o esforço mental cuidadoso servem como exercício e fortalecimento da alma, que passa a ficar em condições de receber verdades ainda mais sublimes.Precisamos meditar. Essas uvas não produzem vinho até serem pisadas por nós. Essas azeitonas precisam ser colocadas debaixo da roda, e prensadas repetidas vezes, para que o azeite flua delas. Olhando para um punhado de nozes, percebemos quais delas já foram comidas, porque há um buraquinho onde o inseto furou a casca — só um buraquinho, e lá dentro há uma criatura vivente comendo a noz. Ora, é uma coisa maravilhosa furar a casca da letra, para então ficar por dentro comendo a própria noz. Bem que eu gostaria de ser um vermezinho assim, vivendo dentro da Palavra de Deus, alimentando-me dela, depois de ter aberto caminho através da casca e ter chegado ao mistério mais interior do evangelho bendito. A Palavra de Deus sempre é mais preciosa para o homem que mais se alimenta dela.No ano passado, sentado debaixo de uma faia nogueira que se estendia em todas as direções, e admirando aquela árvore tão maravilhosa, pensei comigo mesmo: Não tenho nem a metade da estima por essa faia do que o esquilo tem. Vejo-o, pulando de galho em galho, e tenho certeza que ele dá muito valor àquela velha faia, porque tem seu lar em algum oco dentro dela, os galhos são o seu abrigo, e aquelas nozes de faia são o seu alimento. Ele vive da árvore. É seu mundo, seu pátio de recreio, seu celeiro, seu lar; realmente, é tudo para ele; mas para mim, não, porque obtenho meu repouso e minhas refeições em outro lugar. No caso da Palavra de Deus, é bom sermos como esquilos, habitando nela e vivendo dela. Exercitemos nossa mente, pulando de galho em galho na Palavra; achemos nela o nosso repouso e façamos dela o nosso tudo. O proveito será todo nosso, se fizermos dela nosso alimento, nosso remédio, nosso tesouro, nosso arsenal, nosso repouso, nossa delícia. Que o Espírito Santo nos leve a fazer assim, tornando a Palavra tão preciosa à nossa alma!Oração ao Autor da PalavraAgora, quero fazê-lo lembrar que, para obter proveito da Palavra, teremos de orar. É uma coisa excelente sermos forçados a pensar, e coisa mais excelente ainda é ser forçado a orar pelo fato de ter sido levado a pensar. Não é verdade que estou falando com alguns de vocês que não lêem a Palavra de Deus, e que estou falando com muitos outros que a lêem, mas sem nenhuma resolução firme no sentido de entendê-la? Sei que esta é a realidade. Você quer começar a ser um leitor verdadeiro? Então, precisa dobrar os joelhos. Você deve orar a Deus, pedindo orientação. Quem entende melhor um livro? O próprio autor dele.Se quero verificar o verdadeiro significado de uma frase um pouco complexa, e o autor mora perto da minha casa e tenho condições de visitá-lo, vou tocar a campainha da porta dele e dizer-lhe: "O senhor pode ter a gentileza de me dizer qual o significado original daquela frase? Não tenho a mínima dúvida de que ela faz muito sentido, mas eu sou inculto demais para percebê-lo. Não tenho o conhecimento e o domínio do assunto que o senhor possui, e, portanto, suas alusões e descrições estão além do meu alcance. Para o senhor, é um lugar-comum, bem dentro do seu alcance, mas para mim é difícil. O senhor teria a bondade de me explicar o significado?" Um bom homem teria prazer em ser tratado assim, e não teria nenhum problema em deslindar o significado a um leitor interessado e sincero. Assim, eu teria a certeza de obter o significado correto, porque estaria indo à fonte original ao consultar o próprio autor.Da mesma maneira o Espírito Santo está conosco, e quando tomamos na mão o Livro dEle e começamos a lê-lo, e queremos saber o significado, devemos pedir que o Espírito Santo nos ensine. Ele não operará um milagre, mas Ele inspirará a nossa mente, e Ele nos sugerirá pensamentos que nos levarão através da ligação natural entre eles, até finalmente chegarmos ao cerne e ao âmago de sua instrução divina.Portanto, procure com muita sinceridade a orientação do Espírito Santo, porque, se a própria alma da leitura é o entendimento daquilo que lemos, logicamente devemos invocar o Espírito Santo em oração, pedindo que Ele desvende os mistérios secretos da Palavra inspirada.Usando Meios e AjudasSe temos pedido assim a orientação do Espírito Santo, segue-se que estaremos dispostos a usar todos os meios e ajudas para entendermos as Escrituras. Quando Filipe perguntou ao eunuco etíope se este entendia a profecia de Isaías, o eunuco respondeu: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?" Em seguida, Filipe subiu à carruagem e abriu-lhe a Palavra do Senhor.Alguns, sob o pretexto de estar sendo ensinados pelo Espírito Santo, se recusam a ser instruídos por livros ou por homens. Essa atitude não honra ao Espírito de Deus; pelo contrário, desrespeita-O, porque se Ele dá a alguns dos seus servos mais luz do que dá a outros — e é claro que Ele dá — esses estão obrigados a transmitir essa luz aos outros, e usá-la para o bem da igreja. Se, porém, o restante da igreja se recusa a receber essa luz, com que propósito o Espírito de Deus a deu? Nesse caso, haveria a sugestão de que há algum erro na dispensação dos dons e das graças, que é dirigida pelo Espírito Santo. Não pode ser assim. É do beneplácito do Senhor Jesus Cristo dar mais conhecimento e entendimento da sua Palavra a alguns dos seus servos do que a outros, e nossa parte é aceitar com alegria o conhecimento que Ele dá, da maneira que Ele quer dá-lo.Seria muita iniqüidade nossa dizermos: "Não queremos os tesouros celestiais que existem em vasos de barro. Se Deus nos der o tesouro celestial com a sua própria mão, nós o aceitaremos, mas não através de vasos de barro. Pensamos que somos suficientemente sábios, com mentalidade celestial, e muito espirituais para dar valor às jóias quando estão colocadas em vasos de barro. Não queremos ouvir a ninguém, e não queremos ler algo além da Bíblia, nem queremos aceitar alguma luz a não ser aquela que passa por uma fenda em nosso próprio telhado. Não queremos ver com a claridade da vela de outro; preferimos permanecer na escuridão". Irmãos, não caiamos em semelhante insensatez. Se a luz vier da parte de Deus, mesmo que seja trazida por uma criança, nós a aceitaremos com alegria. Se algum dos servos dEle, seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas, tiver recebido luz, eis que "todas as coisas são vossas, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus"; aceite, portanto, a luz que Deus acendeu, e peça graça suficiente para focalizar essa luz na Palavra, de modo que, ao lê-la, você possa entendê-la.Não quero dizer muito mais a respeito disso, mas gostaria de fazê-lo sentir essas verdades. Você tem a Bíblia em casa, eu sei; você não gostaria de ficar sem a Bíblia; e pensaria que é um pagão, se não a tivesse. Você tem a Bíblia e talvez ela seja muito bem encadernada, um exemplar de aparência excelente; as páginas não foram muito viradas nem gastas, e não correm tal risco, porque apenas saem aos domingos para tomar o ar, e durante o restante da semana ficam guardadas junto aos lenços perfumados de alfazema. Você não lê a Palavra, não a perscruta, e como poderá esperar que receberá a bênção divina? Se não vale a pena escavar para achar o ouro celestial, não há a probabilidade de descobri-lo. Várias vezes já lhe falei que escrutinar as Escrituras não é o caminho da salvação. O Senhor tem dito: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo". Mesmo assim, a leitura da Palavra freqüentemente leva, assim como o ouvir da Palavra, à fé, e a fé traz a salvação; porque a fé vem pelo ouvir, e a leitura é um tipo de ouvir. Enquanto você procura saber o que é o evangelho, pode ser do agrado de Deus abençoar a sua alma.Mas que quantidade inferior de leitura alguns de vocês dedicam às suas Bíblias! Não quero dizer nada que seja demasiadamente severo por não ser rigorosamente verdadeiro — que falem suas próprias consciências — mas não deixo de tomar a liberdade de perguntar: Não é verdade que muitos de vocês lêem a Bíblia de maneira muito apressada — só um pouquinho, e saem correndo? Alguns de vocês não se esquecem, pouco tempo depois, de tudo quanto leram, perdendo até mesmo o pouco efeito que parecia ter? Quão poucos de vocês estão resolutos no sentido de chegar até ao âmago da Palavra, ao seu suco, à sua vida, à sua essência, e a beber do seu significado! Se você não fizer assim, digo-lhe, de novo, que a sua leitura é leitura miserável, leitura morta, leitura sem proveito; não é leitura de modo algum, e até o nome de leitura seria impróprio. Que o Espírito Santo lhe dê arrependimento quanto a este assunto
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